Qual o impacto ambiental dos aterros?

contaminação dos aterros em portugal



A quantidade de resíduos que produzimos e descartamos tem um preço que nem sempre conseguimos ver: solos contaminados, água poluída e impactos no clima que podem se estender por décadas. Em Portugal, 1.593 locais já estão afetados, reflexo de um problema silencioso que atravessa fronteiras e gera efeitos invisíveis, mas profundos, para o meio ambiente e a saúde humana.



A poluição do solo é um processo, em grande parte invisível, uma vez que pode ocorrer ao longo de vários anos, sem demonstrar consequências imediatas, podendo repercutir até mesmo em zonas mais afastadas do foco de contaminação, devido à migração de poluentes. Só a Europa possui cerca de 2,8 milhões de locais com solo contaminado, sendo 1593, localizados em Portugal. 

O grande impacto dos aterros sanitários para as alterações climáticas, deve-se à emissão de gás metano que contribui para o efeito estufa, obtido através da produção de chorume e biogás, como consequência da decomposição da matéria orgânica existente na restante massa de resíduos descartados. Enquanto o chorume produzido na compostagem doméstica é consequência de uma decomposição de matéria orgânica pura e por isso mesmo sem toxicidade, no caso dos aterros, a decomposição dá-se em conjunto com outros materiais, provocando assim a emissão de um chorume contaminado. 

Para além do impacto do chorume na contaminação de lençóis freáticos e aquíferos subterrâneos, os metais pesados presentes, provocam, também, grandes prejuízos à saúde de plantas, animais e seres humanos. Outra consequência intrinsecamente relacionada aos aterros é a perda de vegetação, o afastamento de animais silvestres e o aparecimento de animais transmissores de doenças.  

 

Focos de contaminação em Portugal

Em Portugal, os principais focos de contaminação que se podem destacar são: o passivo industrial existente na cintura de Lisboa Norte, devido à EXPO98; a zona industrial do Seixal; as minas abandonadas; os depósitos de antigas atividades industriais; contaminação de solos e águas na Base das Lajes e a envolvente na Ilha Terceira nos Açores; contaminações em desenvolvimentos urbanos (com histórico industrial), como por exemplo, Alcântara, Parque das Nações, Marvila, na cidade de Lisboa.

 

Fora da vista, fora da mente: a urgência de repensar o lixo
 

O tratamento de resíduos precisa evoluir. A separação do lixo orgânico dos demais dejetos é um passo essencial, prática já implementada em cidades como Milão (Itália) e estados como Califórnia (EUA), além de países como Alemanha. Mais do que isso, é necessário promover um consumo mais consciente e estimular empresas a adotarem políticas de redução de desperdício, circularidade e produtos com menor pegada ecológica. O lixo que hoje permanece fora do nosso campo de visão terá, inevitavelmente, consequências visíveis e impactantes no futuro.


Fonte: https://www.icjp.pt/sites/default/files/publicacoes/files/ebook_soloscontaminadosriscos_invisiveis_icjp_jun2020_0.pdf

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