O solo não é apenas terra sob nossos pés: é um regulador vital do clima e um reservatório natural de carbono. A degradação dos solos ricos em húmus ameaça a fertilidade, o sequestro de carbono e, em última instância, a sobrevivência do planeta como o conhecemos.
O solo é crucial para a proteção do clima, por ser responsável pela absorção de grande parte do carbono existente na atmosfera. O papel do húmus é fundamental, capaz de sequestrar quatro vezes mais carbono da atmosfera, para além de ser riquíssimo em nutrientes importantes para o crescimento das plantas.
Desta feita, é urgente regenerarmos o solo para recuperarmos a quantidade de húmus, com técnicas de rotação de culturas e utilização de resíduos vegetais como o biochar (uma biomassa de origem vegetal, composta de materiais orgânicos, como resíduos de madeira e plantas ou estrume de animais, usado pelos índios há milhares de anos). Esse processo permite reter entre 20% a 50% do carbono presente nos resíduos e ao ser introduzido no solo, o carbono presente no biochar, combinado com húmus e bactérias, contribui significativamente para a fertilidade do solo, podendo manter-se incorporado na terra por centenas de anos.
O aumento global de húmus na superfície terrestre permitiria assim a retenção no solo de até 5 bilhões de toneladas de CO2 por ano e, por sua vez, a introdução do biochar, o armazenamento de até 2 bilhões de toneladas de CO2. Contudo, continuará a ser crucial travarmos a crescente conversão de solos ricos em húmus em terras aráveis, utilizadas para o cultivo de ração animal, destinadas à produção de carne. Tendo em conta de que 71% das terras aráveis do mundo são usadas para pasto, face aos apenas 18% destinadas ao cultivo de alimentos. Assim, será necessária uma intensa redução no consumo de carne, se quisermos proteger proteger o clima.
A realidade, porém é complexa, a indústria pecuária continuará a existir enquanto houver demanda por carne e a agricultura continuará a persistir no seu modelo de produção extensiva para conseguir alimentar todos os animais criados para consumo. Nesse contexto os consumidores têm um poder decisivo: ao recusar produtos ofertados de forma insustentável, o mercado será forçado a se adaptar.
A pergunta que fica é direta: estamos dispostos a mudar?

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